Voto secreto motivou sequência de eventos dramáticos no Senado

07/10/2011 - 18h58

A inédita cassação de um senador, em 28 de junho de 2000, foi o primeiro de uma série de eventos que marcaram a história recente do Senado, levando o Congresso a profundas reflexões sobre a instituição do voto secreto dos parlamentares. Com base nesses questionamentos, foi apresentada logo em 2001 a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 349/2001, de autoria do então deputado Luiz Antonio Fleury, que veda as deliberações secretas em todas as instâncias do Poder Legislativo. A ela se seguiram outras, inclusive uma do senador Paulo Paim (PT-RS), em 2006.

[O presidente do Senado Antonio Carlos Magalhães com um grupo de senadores pouco antes da sessão secreta em que foi aprovada a cassação do senador Luiz Estevão. - Foto: José Cruz / Agência Senado]

A decisão do Plenário do Senado, tomada em sessão secreta, atingiu o então senador pelo PMDB Luiz Estevão (DF), que no dia 14 tivera sua cassação recomendada pelo Conselho de Ética do Senado, igualmente em voto coberto, mas em sessão aberta.

Presidido pelo hoje falecido senador Ramez Tebet (PMDB-MS), o Conselho decidiu pela cassação de Estevão, por 11 votos a 3, depois de uma reunião que durou mais de sete horas e só terminou pela madrugada.

Estevão, acusado de participar do desvio de verbas do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, juntamente com o juiz Nicolau dos Santos Neto, e de mentir ao Senado sobre seu envolvimento na fraude, defendeu-se com o auxílio de advogados, mas não conseguiu convencer a maioria dos senadores.

No Plenário, o placar de 52 votos a favor, 18 contra e 10 abstenções abriria uma crise, também inédita, na Casa. O painel de votações foi violado por determinação do então presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), segundo se noticiou à época. A revista IstoÉ, por exemplo, publicou matéria atribuindo ao senador a autoria de um boato sobre o suposto voto da então senadora Heloísa Helena (AL), à época do PT, contra a cassação de Estevão.

[O senador José Roberto Arruda discursa em Plenário negando sua participação na violação do painel de votações do Senado quando da cassação do senador Luiz Estevão - Foto: Roosevelt Pinheiro / Agência Senado]

Em fevereiro de 2001, Heloísa Helena desmentiu o boato. "Ou Antonio Carlos Magalhães está blefando ou tentando me envolver na lama", disse a senadora à Agência Senado.

A violação do painel, afinal confirmada, atingiria o próprio Antonio Carlos Magalhães. Ele renunciaria ao mandato em 30 de maio do mesmo ano, três dias depois da renúncia do então senador José Roberto Arruda (DF), à época no PSDB, que confessou ter tido acesso à lista secreta. Com a renúncia, os dois senadores evitaram a cassação de seus mandatos e voltaram a concorrer nas eleições seguintes. O político baiano morreu em 2007 no curso de um novo mandato de senador.

Nelson Oliveira / Agência Senado

Notícias

Não é possível reconhecer uniões estáveis paralelas

23/02/2011 - 14h21 STJ decide que é impossível reconhecer uniões estáveis paralelas A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça admitiu que não é possível reconhecer uniões estáveis paralelas entre um funcionário público aposentado do Rio Grande do Sul e duas mulheres, com as quais manteve...

Imunidade profissional não é absoluta

03/03/2011 - 14h08 DECISÃO Advogado é condenado por calúnia e difamação contra colega Em mais um julgamento sobre excessos verbais cometidos por advogado no curso do processo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reafirmou seu entendimento de que a imunidade profissional prevista na Constituição...

Cirurgia essencial à sobrevida de segurado

03/03/2011 - 12h29 DECISÃO Unimed deve pagar despesas com cirurgia bariátrica de segurada com obesidade mórbida A gastroplastia (cirurgia bariátrica), indicada como tratamento para obesidade mórbida, longe de ser um procedimento estético ou mero tratamento emagrecedor, revela-se cirurgia...

Aparelho de TV e máquina de lavar são impenhoráveis

03/03/2011 - 08h09 DECISÃO Aparelho de TV e máquina de lavar são impenhoráveis Aparelho de televisão e máquina de lavar, bens usualmente encontrados em uma residência, não podem ser penhorados para saldar dívidas. A decisão é da Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em julgamento...

Disposição normativa inconstitucional

Terça-feira, 01 de março de 2011 Fixação de valor do salário mínimo por decreto é questionada no STF A possibilidade de o Poder Executivo reajustar e aumentar o salário mínimo por meio de decreto, prevista no artigo 3º da Lei nº 12.382/2011*, foi questionada por meio da Ação Direta da...

NFe do Brasil: solução gratuita para emitir NFe

Extraído de Revista INCorporativa NFe do Brasil: solução gratuita para emitir NFe A ferramenta é direcionada a companhias nacionais que já utilizam o sistema grátis da Secretaria da Fazenda 01/03/2011 - Camila Freitas A NFe do Brasil, empresa especializada em inteligência fiscal eletrônica,...